As cidades mais perigosas do mundo em 2025: violência urbana expõe falhas estruturais e desafios globais de segurança

Em 2025, o cenário da violência urbana no mundo continua sendo motivo de alerta internacional. Grandes centros urbanos, que deveriam ser polos de desenvolvimento, cultura e oportunidades, seguem manchados por altos índices de criminalidade, tráfico de drogas, corrupção policial, pobreza extrema e desigualdade social.

CURIOSIDADES

8/7/20253 min read

O levantamento mais recente divulgado por institutos especializados em segurança pública, como o Conselho Cidadão para a Segurança Pública e a Justiça Penal (CCSPJP), mostrou que a maioria das cidades mais violentas do planeta continua concentrada na América Latina, com destaque para o México, Brasil, Venezuela e Colômbia. A situação, porém, não se limita ao continente americano, refletindo um problema global que exige mais do que policiamento: requer transformações estruturais, sociais e políticas urgentes.

Encabeçando o ranking de 2025 está novamente Colima, no México. Com uma taxa de homicídios que ultrapassa 180 por 100 mil habitantes, a cidade se tornou símbolo da guerra entre cartéis de drogas e da falência institucional das autoridades locais. O município, pequeno em população, mas estratégico para o narcotráfico, é palco constante de confrontos armados e execuções públicas, muitas vezes à luz do dia. A insegurança é tamanha que até as forças policiais locais sofrem baixas com frequência, e grande parte da população vive com medo de sair de casa após o pôr do sol.

Logo atrás vêm outras cidades mexicanas como Zamora, Ciudad Obregón e Tijuana, todas fortemente afetadas pelo tráfico de entorpecentes e pela ausência de políticas públicas eficazes. O México, apesar dos esforços do governo federal para combater o crime organizado, ainda não conseguiu desarticular as principais facções criminosas que se infiltraram nos poderes regionais e cooptaram parte das instituições. A corrupção policial e a impunidade alimentam um ciclo vicioso de violência, onde a população civil é a principal vítima.

O Brasil também figura entre os países com mais cidades no ranking da violência. Maceió, Fortaleza, Salvador e Belém aparecem com taxas alarmantes de homicídios, impulsionadas por disputas entre facções locais, milícias, violência policial e a marginalização de populações inteiras. Nas periferias dessas cidades, o Estado é praticamente ausente, e grupos criminosos preenchem o vazio de autoridade, impondo suas próprias leis, cobrando taxas de proteção, aliciando jovens e usando a força para manter o controle territorial. A desigualdade social é um dos principais combustíveis dessa violência — em comunidades onde falta tudo, o crime acaba sendo, muitas vezes, a única alternativa de sobrevivência ou ascensão econômica.

A Venezuela, mergulhada em uma crise humanitária prolongada, também registra cidades extremamente perigosas. Caracas, embora com uma leve queda nos números de homicídios nos últimos anos, ainda apresenta altos níveis de criminalidade, impulsionados por uma economia colapsada, inflação galopante e uma estrutura estatal desintegrada. A presença de grupos armados não-estatais e o controle de áreas por quadrilhas fazem com que a vida cotidiana na capital venezuelana seja marcada por medo, violência e um sentimento constante de insegurança.

A Colômbia, após avanços significativos nas últimas décadas, vê algumas cidades ressurgirem no mapa da violência. Cali, por exemplo, voltou a registrar aumentos nos índices de homicídio em razão de disputas entre remanescentes de guerrilhas e novas facções ligadas ao narcotráfico. Apesar dos esforços de pacificação e integração social, os desafios permanecem, especialmente nas áreas mais pobres.

Curiosamente, países desenvolvidos como os Estados Unidos também enfrentam problemas sérios em determinados centros urbanos. St. Louis, Baltimore e Detroit figuram como as cidades mais perigosas dos EUA, com altos índices de homicídio por armas de fogo, resultado da combinação entre desigualdade racial, acesso irrestrito a armamentos e falhas sistêmicas na segurança pública. Nessas cidades, a tensão entre a polícia e a população, especialmente a comunidade negra, cria um clima constante de desconfiança e instabilidade.

Em linhas gerais, o que se observa é que a violência urbana não nasce do nada. Ela é consequência direta de uma série de fatores interligados: pobreza, exclusão, corrupção, ausência do Estado e falta de oportunidades. As cidades mais perigosas do mundo são o espelho de falhas profundas — não apenas no policiamento, mas principalmente na distribuição de renda, no acesso à educação e à dignidade.

Enquanto governos apostarem apenas em soluções repressivas, o problema persistirá. É preciso enxergar a segurança como um direito e não apenas como um aparato de contenção. Sem políticas públicas integradas, que unam educação, emprego, saúde e justiça, as estatísticas de violência seguirão assustadoras — e milhões de vidas continuarão sendo perdidas sem que o mundo se mobilize como deveria.