Rapper Oruam é preso após se entregar à polícia no Rio

O rapper brasileiro Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, mais conhecido como Oruam, compareceu voluntariamente à Cidade da Polícia, na zona norte do Rio de Janeiro, no início da noite desta terça-feira, 22 de julho de 2025, para cumprir o mandado de prisão preventiva emitido contra ele pela Justiça fluminense.

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7/23/20253 min read

A determinação judicial incluiu sete acusações graves, entre as quais tráfico de drogas, associação ao tráfico, resistência à prisão, desacato, dano ao patrimônio público, ameaça e lesão corporal.

A ordem de prisão foi proferida após uma operação realizada na madrugada anterior, em sua residência no bairro do Joá. Segundo as investigações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), os agentes encontraram um adolescente infrator — apontado como segurança do traficante Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, líder do Comando Vermelho — dentro do imóvel de Oruam. Ao chegarem para cumprir o mandado, policiais foram recebidos com pedradas, xingamentos e agressões físicas, que resultaram em ferimentos em ao menos um agente.

Nas horas seguintes ao ocorrido, Oruam compartilhou vídeos e mensagens nas redes sociais, reagindo ao que classificou como excesso de autoridade por parte dos policiais. Ele afirmou que não era bandido e prometeu se entregar “para provar a verdade”. Em um dos vídeos, Oruam disse: “Eu errei, desculpa aí, todo mundo. Provar para vocês que não sou bandido. Vou dar a volta por cima e depois vou vencer com minha música”.Ainda de acordo com relatos do próprio artista, os policiais envolveram armas durante a abordagem, e ele reagiu atirando pedras em legítima defesa.

Ao chegar à Cidade da Polícia, acompanhado da mãe, Márcia Gama, e de sua namorada, Oruam foi recebido pela imprensa e fez um pedido de desculpas, acompanhado de um abraço e beijo em sua companheira.Ele reafirmou seu compromisso com a música e prometeu dar a volta por cima. A defesa do rapper declarou que nenhuma droga ou material ilícito foi apreendido durante as buscas em sua casa, e que a reação teria surgido em resposta ao que foi caracterizado como uso excessivo de força pela polícia.

Autoridades informaram que o adolescente detido, conhecido como “Menor Piu”, teve prisão decretada também e acabou autuado na 26ª DP, enquanto Oruam permaneceu apreendido em regime de prisão preventiva, por decisão da juíza Ane Cristine Scheele Santos, ganhando com base no risco de reiteração de crimes e na tutela da ordem pública.O Ministério Público havia solicitado prisão temporária por 30 dias, mas a magistrada entendeu que era mais adequado manter a detenção sem prazo, diante da gravidade dos crimes indicados.

Segundo o secretário de segurança pública do Rio, Felipe Curi, a residência de Oruam funcionava como um “ponto de encontro e abrigo para criminosos e foragidos da Justiça”, o que motivou a intensificação das investigações. A informação foi confirmada também pelo Estadão e pelo InfoMoney, que relataram que o cantor resistiu fisicamente à ação policial e resistiu à detenção, inclusive lançando pedras contra os veículos das autoridades.

Este episódio representa a cúspide de uma série de polêmicas envolvendo Oruam, que já havia sido preso duas vezes neste ano: primeiro em fevereiro por direção perigosa e direção com habilitação suspensa, e depois por abrir sua casa a um foragido da justiça. Ambas as ocorrências sucederam o lançamento de seu álbum de estreia, Liberdade, em fevereiro de 2025, e a repercussão pressão sobre projetos de lei estadual e federal contra eventos que fazem apologia ao crime, apelidados de “Lei anti-Oruam”.

Agora, com a prisão preventiva em curso, o futuro judicial de Oruam dependerá do andamento do processo, que tramita em segredo de justiça. Ele responderá às acusações formalmente apresentadas, podendo ser mantido preso até o julgamento ou liberação mediante habeas corpus. Essa etapa promete ser tumultuada, pois a promotoria apontará ligação com o tráfico e participação efetiva em atos de obstrução à polícia, enquanto a defesa tentará demonstrar que houve excesso no uso da força e que Oruam agiu sob instinto de preservação, não com intenção criminosa.

Resta saber agora se o rapper, uma das vozes mais ouvidas na cena trap nacional, será um caso emblemático de confronto entre cultura e Estado ou um exemplo de busca por justiça e redenção. Enquanto isso, a sociedade e o mercado musical acompanham em silêncio atento, aguardando os desdobramentos dessa história que mistura fama, polêmica e confronto com a lei.