Sister hong viraliza: entenda o caso por trás do homem chines que se vestia de mulher para ter encontros com outros homens

A história do escândalo conhecido como “Sister Hong” — também referida em chinês como “Irmã Hong” (红姐 / Hóng Jiě) — tem mobilizado redes sociais e gerado intenso debate sobre privacidade, consentimento e identidade digital. O protagonista, identificado apenas pelo sobrenome Jiao, de 38 anos, foi preso pela polícia de Nanquim no início de julho de 2025, acusado de se passar por mulher para atrair homens, gravar encontros íntimos sem consentimento e comercializar os vídeos em grupos privados, por cerca de 150 yuan (~R$ 115‑120) cada acesso.

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7/29/20253 min read

Jiao montou uma persona feminina convincente: usava perucas, maquiagem, filtros digitais e software de modulação vocal, apresentando-se como uma mulher divorciada nos aplicativos de relacionamento . Não exigia pagamento em dinheiro como típico em esquemas de prostituição; pedia somente pequenos presentes simbólicos — frutas, óleo de cozinha, leite, ou até uma melancia — como condição para os encontros .

O suposto número de vítimas inicialmente divulgado — cerca de 1.691 homens — foi desmentido pela polícia, que afirmou ser provável um exagero das estimativas [Nota: a contagem final não foi divulgada]. A versão europeia, por exemplo, mencionou um número parcial de 237 homens gravados com consentimento duvidoso, ainda que as autoridades não confirmem esse número com precisão.

Logo que os vídeos começaram a circular nas redes sociais chinesas — especialmente no Weibo, onde a hashtag “紅姐” ficou no topo dos trending topics com mais de 200 milhões de visualizações — começou a crescente exposição pública das vítimas. Rostos foram identificados em montagens e compartilhamentos virais, o que teria motivado rompimentos de relacionamentos, linchamento virtual e até pedidos de divórcio por parte de parceiros não envolvidos diretamente .

Em resposta ao escândalo, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças de Nanquim lançou uma campanha oferecendo exames médicos gratuitos a possíveis vítimas, diante dos receios de transmissão de doenças sexualmente transmissíveis. Entretanto, os boatos sobre Jiao ser portador de HIV e ter infectado 11 pessoas foram refutados pelas autoridades, sem confirmação até o momento .

Do ponto de vista legal, Jiao pode enfrentar ao menos sete acusações, incluindo divulgação de material obsceno — tipo de crime que pode acarretar até 10 anos de prisão — e, potencialmente, prostituição, já que a troca de presentes pode ser interpretada como pagamento pelos serviços sexuais . Nos sistemas jurídicos olhados de fora, como o brasileiro, essas atitudes seriam enquadradas como registro e divulgação de intimidade sexual sem consentimento (Art. 216‑B do Código Penal), puníveis com detenção e multa; além disso, a disseminação desses materiais (Art. 218‑C) pode levar a reclusão de até cinco anos, com agravantes em caso de humilhação ou vingança .

Após sua prisão, as autoridades chinesas vêm adotando medidas para remover os vídeos da internet e bloquear grupos que continuem distribuindo o conteúdo. A investigação segue em andamento, mas os danos sociais já são amplos. Além disso, o caso inspirou uma avalanche de memes, paródias, filtros de realidade aumentada e até merchandising irônico — perucas, roupas e guias de estilo imitando a aparência de Sister Hong viralizaram na web, destacando o componente cultural e tecnológico que fez o escândalo transcender o crime original .

Internautas, especialmente no Reddit, criticaram a trivialização do caso, alertando que as vítimas estão sendo zombadas e acusadas de infidelidade, mesmo sem qualquer elemento que justifique tal julgamento moral. Um usuário resumiu: “Sister Hong é um criminoso sexual que distribuiu vídeos não consensuais de aproximadamente 1.600 homens… O que me incomoda é como as pessoas estão tratando isso como piada” . Essa reação reforça a discussão sobre estigmatização de comportamentos homo ou bi‑sexuais, trans e bissexuais, e aponta a necessidade de respeito e privacidade, mesmo em casos envolvendo identidades de gênero fluidas ou performance artística.

Em resumo, o caso “Sister Hong” levanta importantes reflexões sobre consentimento sexual, privacidade digital, legislações defasadas e a cultura de exposição na era das redes sociais. Mesmo após a prisão, o impacto social segue intenso: vítimas continuam expostas, o debate legal continua aberto, e o fenômeno cultural derivado — seja em memes ou comerciais satíricos — ressalta como a fronteira entre crime e espetáculo está cada vez mais tênue.